Zona da Mata, Minas Gerais

Juiz
de Fora

Uma cidade que se dobra sobre si mesma como um livro aberto, com pagina de vento, capitulo de neblina, e um leitor sentado no banco da praca.

1850 fundacao 575 mil almas Manchester mineira
Caro leitor,
uma carta sobre os dias e as ruas

Ha cidades que se anunciam de longe, com luzes de cartao postal e uma trilha sonora ensaiada. Juiz de Fora nao. Ela aparece devagar, num declive de morro, num vapor que sobe da xicara, num bonde antigo que ja nao corre mais e ainda assim continua passando por dentro de quem mora aqui. E uma cidade de meia-luz, e e justamente nessa meia-luz que ela se deixa amar.

Aqui, a Manchester Mineira virou outra coisa. As chamines deram lugar a livrarias de sebo, os galpoes textis viraram salas de aula, e o estrondo das maquinas se acomodou na conversa baixa dos botecos da Halfeld, na voz do estudante atravessando a Rio Branco com livro embaixo do braco, no piano que escapa pela janela aberta do Conservatorio.

Quem chega procurando pressa nao acha. Juiz de Fora tem o tempo dos cafes que nao fecham as oito, dos cinemas que ainda projetam sessao de meia-noite, dos bares onde se discute Murilo Mendes como quem comenta o tempo. E uma cidade que pensa, e que pensa em voz alta, mas sem alarde, com aquele jeito mineiro de dizer muito dizendo pouco.

Esta e uma carta sobre ela. Sobre os bairros que se acendem ao fim da tarde como velas sobre uma mesa longa. Sobre o Paraibuna que corta a cidade ao meio sem pedir licenca. Sobre os morros que guardam a vista. Leia devagar, como se fosse a primeira vez que alguem te falasse de uma cidade.

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Cinco silhuetas que a cidade desenha no escuro

retratos que ardem como pavio
UFJF
A universidade no alto, lendo a cidade por cima do ombro.
MAMM
A casa onde o poeta deixou os versos pendurados nas paredes.
Cine-Theatro
Cortina vermelha que abre toda noite para o seculo passar.
Mariano Procopio
Um parque com lago, palacio e um sussurro do imperio.
Paraibuna
O rio que aprende as conversas e leva embora sem contar.
Minha cidade tem o nome de um santo, mas vive de poesia profana, de musica nos bares, de luz amarela nas vidracas, de conversa que nao cabe no relogio.
em homenagem a Murilo Mendes poeta nascido em Juiz de Fora, 1901

Os bairros, capitulos de um livro que se le a pe

Sao sete regioes administrativas, e cada uma tem o seu modo de respirar. O texto a seguir nao e um indice, e uma planta baixa de afetos.

i.
primeiro capitulo

Centro

O coracao da cidade, onde as calcadas guardam o eco dos comerciantes do seculo passado e o Cine-Theatro acende a vitrine da memoria.

Alto dos Passos Boa Vista Bom Pastor Centro Granbery Santa Helena Sao Mateus Teixeiras
ii.
segundo capitulo

Zona Leste

A regiao das casas de janela aberta, dos quintais com mangueira, das escolas que abrem cedo e das familias que se sabem pelo nome.

Bairu Bonfim Botanagua Centenario Cesario Alvim Grajau Linhares Manoel Honorio Marumbi Nossa Senhora Aparecida / Meggliolaro Progresso Santa Candida Santa Rita Sao Benedito Sao Bernardo Vitorino Braga
iii.
terceiro capitulo

Zona Nordeste

Onde a cidade veste seu lado nobre antigo, com museu, parque, palacio e ruas que parecem ter saido de uma aquarela do imperio.

Eldorado Filgueiras Grama Granjas Betanea Jardim Bom Clima Jardim Emaus Mariano Procopio Parque Independencia Santa Therezinha Vale dos Bandeirantes
iv.
quarto capitulo

Zona Norte

A cidade que cresceu trabalhando, de fabrica e galpao, e que hoje guarda a memoria operaria como se guardasse uma medalha no fundo da gaveta.

Barbosa Lage Barreira do Triunfo Benfica Carlos Chagas Ceramica Esplanada Francisco Bernardino Industrial Jardim dos Alfineiros Jardim Natal Joquei Clube I Joquei Clube II Joquei Clube III Milho Branco Nova Benfica Nova Era Paula Lima Remonta Represa Santa Cruz Sao Dimas Vila Esperanca I Vila Esperanca II
v.
quinto capitulo

Zona Oeste, Cidade Alta

A regiao que olha a cidade do alto, com a UFJF de um lado e o Morro do Imperador do outro, sustentando o ceu por algumas horas.

Aeroporto Borboleta Cruzeiro de Santo Antonio Martelos Morro do Imperador Nova California Novo Horizonte Sao Pedro Serro Azul
vi.
sexto capitulo

Zona Sudeste

O bairro de classe media de varanda, padaria de esquina e crianca andando de bicicleta, onde a cidade se faz cotidiano sem alarde.

Barao do Retiro Costa Carvalho Floresta Niteroi Nossa Senhora de Lourdes Santo Antonio Vila Furtado de Menezes Vila Olavo Costa
vii.
setimo capitulo

Zona Sul

A fronteira que ainda se inventa, com Cascatinha, Salvaterra e a sensacao de que a cidade esta escrevendo as proximas paginas em folha em branco.

Bomba de Fogo Cascatinha Graminha Ipiranga Jardim Laranjeiras Sagrado Coracao de Jesus Salvaterra Santa Cecilia Santa Efigenia Santa Luzia
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Linha do tempo, em tinta

marcos de uma cidade que escreve com pena lenta
Em 31 de maio, nasce oficialmente a cidade. O Caminho Novo ja a havia rascunhado antes, com mulas, tropeiros e fogueira na noite.
1850
1856
A Estrada Uniao e Industria abre caminho de Petropolis a Juiz de Fora, e a cidade descobre que o futuro tem rodas.
A primeira grande fabrica textil acende suas chamines, e o apelido de Manchester Mineira se cola a cidade como impressao digital.
1872
1901
Nasce Murilo Mendes, e a partir dali a cidade ganha um poeta como quem ganha um irmao mais velho.
O Cine-Theatro Central abre as portas, e desde entao toda noite e estreia de alguma coisa, mesmo quando nao ha cartaz.
1929
1960
Cria-se a Universidade Federal de Juiz de Fora, e a cidade passa a respirar tambem pelo pulmao dos estudantes.
O Museu de Arte Murilo Mendes, MAMM, instala-se no centro como casa de visita do poeta, e abre as paginas que ele deixou pelo caminho.
2005
hoje
Cerca de 575 mil pessoas escrevem juntas, em silencio, o capitulo de agora.