Região Central
O coração antigo, da Halfeld ao Granbery, onde a cidade ainda lembra de quando se chamava Santo Antônio do Paraibuna.
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A cidade que se ergueu entre morros, máquinas e afetos. Um inventário, em sete regiões, da chamada Manchester Mineira.
Quem desce a serra a partir do Rio, depois de cruzar a fronteira invisível entre o litoral e a montanha, encontra Juiz de Fora pousada num vale, costurada pelo rio Paraibuna, povoada por morros que insistem em aparecer no horizonte de quase toda janela. A cidade nasceu oficialmente em 31 de maio de 1850, quando ainda era uma estação de tropeiros no caminho do café, e cresceu rápido, puxada pelas tecelagens, pelas estradas de ferro e por aquela mistura tão mineira de cautela com ambição.
Apelidaram-na, em fins do século XIX, de Manchester Mineira, em referência ao parque industrial têxtil que rivalizou, por algum tempo, com o que se via em São Paulo. Restaram chaminés altas, galpões de tijolo aparente, uma elite cosmopolita e uma certa altivez de quem foi rica antes de virar cidade média. Hoje são cerca de 575 mil habitantes, espalhados por mais de cento e cinquenta bairros, distribuídos em sete regiões administrativas que vão do Centro espremido entre encostas até as planícies industriais do Norte e os condomínios da Cidade Alta.
É na Universidade Federal de Juiz de Fora, fundada em 1960 sob o impulso de Juscelino Kubitschek, que a cidade encontra hoje sua principal vocação. Soma-se a ela o MAMM, o Museu de Arte Murilo Mendes, o Cinema-Teatro Central restaurado, o Castelo dos Bonecos, o parque do Mariano Procópio e uma cena cultural densa, com festivais de cinema, jornalismo independente e uma boemia que persiste no entorno da Rua Halfeld. Há cidades que se medem em metros, e há cidades que se medem em afetos, dizia um cronista local, e em Juiz de Fora os dois sistemas convivem, com a primazia do segundo.
Em 31 de maio, a antiga povoação de Santo Antônio do Paraibuna é elevada à categoria de cidade. Estava no mapa do café, das tropas e das estradas que ligavam a Corte ao interior das Minas.
Inaugurada por Mariano Procópio Ferreira Lage, foi a primeira rodovia macadamizada do Brasil, ligando Petrópolis a Juiz de Fora. Marca o início do ciclo de modernização e do parque que leva o seu nome.
A Companhia Mineira de Eletricidade põe em funcionamento, na Marmelos Zero, a primeira hidrelétrica de grande porte da América do Sul para fins industriais. As tecelagens passam a girar com energia das águas.
Na virada do século, a cidade reúne dezenas de fábricas têxteis e ostenta o apelido de Manchester Mineira. Imigrantes alemães, italianos, sírios e libaneses dão sotaque à elite e à classe operária.
A Universidade Federal de Juiz de Fora é criada por decreto de Juscelino Kubitschek, congregando faculdades já existentes. Em poucas décadas, a vocação universitária superaria, em peso simbólico, a vocação industrial.
A inauguração do Museu de Arte Murilo Mendes, no antigo Banco Hipotecário, e a restauração do Cinema-Teatro Central reposicionam o centro histórico como praça cultural ativa, e não apenas memória.
Com cerca de 575 mil habitantes, Juiz de Fora se firma como polo regional da Zona da Mata, a 260 km do Rio e 480 km de Belo Horizonte, com economia diversificada entre serviços, ensino, saúde, comércio e indústria.
A divisão oficial de Juiz de Fora distribui seus bairros em sete regiões administrativas. O que segue é um inventário editorial, sem hierarquia, na ordem em que a cidade costuma se contar.
O coração antigo, da Halfeld ao Granbery, onde a cidade ainda lembra de quando se chamava Santo Antônio do Paraibuna.
Encosta operária e ferroviária, dos antigos pátios da Central a colinas residenciais que olham o nascente.
Onde Mariano Procópio guarda o castelo, o parque e a memória do barão; ao redor, vales que viram bairro.
A planície industrial e popular, com galpões, conjuntos habitacionais e a represa que serve a cidade inteira.
Subindo até o Morro do Imperador, encontra-se a cidade que vê a cidade, dos Martelos ao São Pedro, do Aeroporto às Borboletas.
Vizinhança tradicional do entorno do estádio e dos colégios, com ruas largas, casarões e nomes de santo.
A direção da serra do mar, dos novos condomínios da Cascatinha e dos bairros que carregam nomes de santas, luzes e cataratas.